O panorama feminino nas eleições 2026
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Adriana Vasconcelos Jornalista
24 anos nas redações do Correio Braziliense, da Gazeta Mercantil e de O Globo. Desde 2012, Adriana Vasconcelos leva essa experiência à AV Comunicação Estratégica para moldar narrativas e fortalecer a imagem de líderes e instituições.
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Em 2022, quatro candidatas à Presidência da República — Simone Tebet pelo MDB, Soraya Thronicke pelo União Brasil, Vera Lúcia pelo PSTU e Sofia Manzano pelo PCB — garantiram uma participação recorde de mulheres na disputa nacional. Juntas, porém, obtiveram menos de 5% dos votos válidos, apesar de Simone Tebet, então senadora, ter sido a terceira colocada no primeiro turno.
Este ano, corremos o risco de termos uma eleição presidencial sem candidatas mulheres, algo inédito desde 2002. Até agora, a única é a dentista Samara Martins, do União Popular (UP), legenda criada em 2019 e ainda sem representantes eleitos. Os outros nove pré-candidatos são homens.
Com o fim do prazo de desincompatibilização para candidatos, no início deste mês, o número de governadoras subiu de duas para cinco. Em 2022, das 38 mulheres que disputaram governos estaduais, só se elegeram Raquel Lyra (então PSDB), em Pernambuco, e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte. Em abril, com a renúncia dos titulares, assumiram Celina Leão (DF), Mailza Assis (AC) e Hana Ghassan (PA).
Das cinco, só 3 deverão disputar a reeleição. Fatima Bezerra, já reeleita, optou por cumprir o mandato até o fim. Raquel Lyra (PSD) enfrentará uma disputa acirrada em Pernambuco com o ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB. Na eleição passada, ela fez história como a primeira governadora do estado, em uma chapa 100% feminina: com Priscila Krause como vice. Pernambuco ainda elegeu Tereza Leitão (PT) ao Senado, uma das quatro mulheres eleitas para as 27 vagas em disputa, junto com Tereza Cristina (PP-MS), Professora Dorinha (União-TO) e Damares Alves (Republicanos-DF).
Celina Leão é outra que terá uma disputada campanha à reeleição, em meio à crise política herdada de seu antecessor, Ibaneis Rocha. Mas conseguiu em sua chapa as duas candidatas do PL ao Senado: a deputada federal Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que terão como adversárias a deputada federal Erika Kokay (PT) e a senadora Leila Barros (PDT), que busca a reeleição.
No Acre, Mailza também concorrerá novo mandato. Outras oito mulheres devem concorrer a governos estaduais: Adriana Accorsi (GO), Juliana Brizola e Rejane Oliveira (RS), Jô Cavalcante (PE), Margareth Coelho e Lourdes Melo (PI), Natasha Slhessarenko (MT), e Professora Dorinha (TO).
Pelo menos 30 já confirmaram suas pré-candidaturas ou negociam legenda para concorrer uma das 54 vagas ao Senado. O DF lidera com mais mulheres nesta briga. Já na Bahia e Sergipe, ainda não há mulheres na disputa ao governo do Estado ou a vaga de senadora.
Em São Paulo, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) disputam a liderança na corrida ao Senado. Outros nomes femininos ocupam essa dianteira em seus Estados: a deputada federal Marília Arraes (PE); as ex-prefeitas Marília Campos (Contagem-MG) e Tereza Surita (Boa Vista-RR); e Rayssa Furlan (AP), mulher do ex-prefeito de Macapá e pré-candidato ao governo Dr. Furlan; e Gracinha Caiado, ex-primeira-dama de Goiás.
Entre veteranas que tentarão voltar ao Senado estão as petistas Gleisi Hoffmann (PR) e Benedita da Silva (RJ), além de Rose de Freitas (ES). Algumas novatas na disputa ao Senado, como a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) tiveram de brigar para manter sua pré-candidatura. Pelo menos três senadoras disputam a reeleição: Soraya Thronike (MS), Zenaide Maia (RN) e Leila Barros (DF).
Mas tudo indica um caminho ainda longo até alcançarmos um equilíbrio maior de gênero na cena política nacional.
Publicado originalmente no Congresso em Foco Ler no original (abre em nova aba)